Atalhos de Campo


6.7.17

tal como nos blogues

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Todos temos questões por resolver, mas acho que os criadores têm ainda mais. Têm um grito gigantesco. O Kundera, em "O Livro dos Amores Rizíveis", dizia isso mesmo: há pessoas que precisam de ser amadas por um único outro significante, há pessoas que precisam de ser amadas por um núcleo mais abrangente, que hoje em dia talvez corresponda aos amigos do Facebook, mas antes eram talvez as pessoas que organizavam festas, em que ainda há necessidade de saber quem são, conhecer-lhes o rosto. Isso dá umas cerca de 200 ou 300 pessoas. Depois, há os artistas que têm um buraco tão grande que precisam de ser amados pelo mundo inteiro e, portanto, precisam de um público anónimo. Quantos mais melhor. Isto traduz um estado de desequilíbrio, obviamente. Acho que todos temos um estado de desequilíbrio, todos temos falta de amor. (...) Todos gostamos de ser reconhecidos pelo nosso trabalho, e isso é amor.
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Rui Horta em entrevista à E.